Wednesday, April 21, 2010

"Pensando em PA"

Minha turma de estágio é a primeira turma da escola a ser alfabetizada pelo método GEEMPA. A professora regente da turma fez o curso do GEEMPA por dois anos consecutivos e aplica esta metodologia atualmente na sala de aula. Assim estou adaptando meu projeto às expectativas destas crianças. Iniciamos com uma história de Monteiro Lobato, com a intenção de resgatar através de seus personagens um pouco da história de vida destas crianças (zona rural). Conversando com a professora da turma elaboramos um projeto que tenha continuidade mesmo após o término do estágio. Pretendo que percebam através da narrativa de suas histórias de vida e de seus familiares, que existe uma ligação permanente do ser humano com seu ambiente, neste caso Itapuã. Algumas pessoas desta comunidade sofrem até hoje as conseqüências da implantação do Parque Estadual de Itapuã, pois a extração de pedras e o comércio informal (produtos artesanais e coloniais) movimentavam a economia local. O turismo na região gerava renda e empregos para os moradores. Com a implantação do parque estas pessoas foram retiradas de suas terras e poucos conseguiram recuperar-se economicamente. Algumas vivem da pesca e formam a colônia de pescadores Z4. A proposta deste projeto é resgatar a história destas famílias da região através de relatos, entrevistas, fotos e documentos. Cada grupo (sete grupos com quatro alunos) criou uma página no PBWORK para registro da nossa caminhada. As questões estão surgindo durante a escrita destas crianças, não há um momento de eleger a questão principal. O objetivo inicial é permitir que as crianças explorem este ambiente e aprendam como utilizá-lo. Em seguida, esta pesquisa será registrada no PA coletivo da turma 419, através de gráficos, mapas, desenhos, imagens e relatos.

Sunday, April 18, 2010

A construção do projeto

Dentro do projeto do estágio sobre Itapuã realizamos uma atividade importante de registro de algumas idéias das crianças sobre o assunto. Cada um respondeu em uma folha:
“O que você não sabe, mas gostaria de saber sobre”
ITAPUÃ
“Eu não sei quantos metros é de Itapuã a Porto Alegre”.
“Eu não conheço o Farol de Itapuã”
“Todas as lendas de Itapuã”.
Quantos habitantes?
“Eu gostaria de saber quantas mulheres vivem em Itapuã”.
VIAMÃO
“Eu não conheço o Centro de Viamão”
“Do que vivem as pessoas”?
“Quanto gastam de água”?
“Qual a pessoa mais antiga que vive em Viamão”?
“Eu queria saber o que ta acontecendo em Viamão agora”.

E assim foram muitas idéias interessantes para a continuidade do trabalho, talvez uma visita aos pontos turísticos de Viamão, ir ao centro, praça, Prefeitura... Casa de Cultura. Alguma atividade cultural, como cinema, onde tem cinema em Viamão? Esta até eu não sabia tem na Vila Santa Isabel. A semana foi tranqüila, as crianças ficaram interessadas no projeto, adoraram formar os grupos, estão motivados e realizando as atividades.
É bem diferente estar em sala de aula, após estes três (3) anos de mandato como Diretora, é outro espaço, não sei como descrever, uma sensação de aconchego...
Alguns dos conceitos que permeiam este projeto estão descritos em FISCHER (2005):







Referências
FISCHER, Rosa Maria Bueno. Escrita Acadêmica: arte de assinar o que se lê. In: COSTA, M. e BUJES, M. Isabel. (org.) Caminhos Investigativos III: riscos e possibilidades de pesquisar nas fronteiras. Rio de Janeiro; DP&A, 2005. p. 117-140.

Sunday, April 11, 2010

Oralidade e Memória

Neste primeiro encontro presencial do nosso grupo de estágio, que terá a supervisão do Professor Paulo Albuquerque e tutora Rossana Della Costa todos (as) socializaram em linhas gerais seu ambiente de trabalho e as idéias iniciais de seu planejamento. Participar deste relato proporcionou conhecer melhor o trabalho desenvolvido por nossas colegas e compreender "na prática" os objetivos deste estágio. Nesta conversa inicial escolhi como ponto de partida para o meu planejamento da escola resgatar através do relato dos moradores de Itapuã e pesquisa na sede do município de Viamão, um pouco da história desta comunidade. Ensinar o componente curricular de estudos sociais para crianças não é tarefa das mais fáceis. Os alunos das séries iniciais parecem ter mais dificuldade em compreender os fatos históricos e relaciona-los com o presente. Alguns questionam porque devem estudar o que já passou? para que decorar todas estas datas? que relação estes fatos tem com minha vida e minha família? Pretendo utilizar como um dos referenciais o livro:
ANTUNES, Aracy do Rego; MENANDRO, Heloisa Fesch; PAGANELLI, Tomoko Iyda. Estudos Sociais: Teoria e Prática. Rio de Janeiro, ACCESS, 1999.
Durante minha infância e parte da adolescência tentei entender os conceitos de história e sempre tinha a sensação de estar perdida... Por esse motivo acredito que a criança precisa compreender as origens do fato histórico a ser estudado, para isso precisa desenvolver noções/conceitos “prévios”. No caso da nossa escola, precisamos trabalhar com o município nesta série, sendo que o nosso é Viamão, mas nenhum livro do nosso acervo apresenta uma pesquisa atual e de qualidade sobre este município. Antes de estudar o município vamos falar sobre Itapuã, a localidade onde moramos e recortada pelo “Lago” Guaíba e a Laguna dos Patos, aliás, por onde chegaram os Açorianos... quanta informação...

Friday, April 02, 2010

Projeto Água




No dia 27/03 foram realizadas várias atividades na E.E.E.M. Dr. Genésio Pires, como uma forma de conscientização da Comunidade da Vila de Itapuã, em relação ao uso correto e sem desperdício da água. Além de trabalhos apresentados pelos alunos/alunas e professores/professoras sobre a importância da preservação deste patrimônio e os cuidados com o Arroio e Lago Guaíba que fazem parte deste cartão postal de Itapuã. Todos desenvolveram durante a semana da água, iniciada no dia 22/03, atividades na sala de aula com o objetivo de no sábado compartilhar com a Comunidade ações voltadas para preservação e o cuidado com a natureza. Nossa escola é a única da região que oferece aos estudantes de 5ª a 8ª séries, dois períodos semanais da disciplina Gestão Ambiental aprovada pela Comunidade Escolar, para fazer parte da nossa Base Curricular, a partir de um projeto de Educação Ambiental desenvolvido na escola. A iniciativa partiu da Professora Fátima Favero, autora do projeto, como uma forma de preparar nossas crianças e jovens para conviver pacificamente com a natureza e especialmente com o Parque Estadual de Itapuã. As atividades iniciaram com uma caminhada pela Vila de Itapuã com uma breve parada na margem do encontro do Arroio com o Lago Guaíba, na beira da Praia da Vila de Itapuã, onde os todos os presentes mostraram cartazes e trabalhos desenvolvidos em algumas turmas de Ensino Fundamental e Médio. A seguir, retornamos a escola e realizamos a abertura oficial, com o Hino Nacional e a música Planeta Água apresentada pelo Professor Leandro Duarte e a turma 81. A CORSAN participou com atividades diferenciadas para todos os visitantes, que incluíam uma maquete da Estação de Tratamento e produtos químicos utilizados para tornar a água potável. O posto de saúde da Vila também esteve presente conversando sobre as doenças e malefícios de uma água contaminada e os cuidados que precisamos ter com nossa saúde. A modalidade EJA colaborou com a elaboração de um tapete feito com diferentes materiais, confeccionado, durante toda manhã, pelos professores e alunos no saguão da escola. As séries Iniciais do Ensino Fundamental apresentaram diferentes trabalhos como maquetes e uma peça teatral.

Thursday, March 25, 2010

FELICIDADES!!!

E.E.E.M.Dr. Genésio Pires
Localizada na Vila de Itapuã - Município de Viamão.

"Dizem que toda a gente,
Durante a sua vida,
encontra uma vez,
mas uma vez só,
a FELICIDADE.
Os que a reconhecem
são os venturosos".

Mário de Sá- Carneiro (1890-1916) poeta português, em Felicidade Perdida, do Livro Obra Completa - Editora Nova Aguilar.

Desejo a todos (as) colegas do PEAD um Recomeço repleto de FELICIDADES!!!!

Sunday, November 22, 2009

Reflexão- Síntese!


Mais um semestre está terminando e no turbilhão de atividades, escritas, pesquisas, arquiteturas pedagógicas, escola, família, filhos, amigos... Estamos nós enlouquecidas (os) realizando uma (re) leitura de nossa caminhada no PEAD! A novidade é que vamos analisar o BLOG de um colega de outro Pólo! E esta interação é importante para perceber como os colegas de outos municípios estão pensando e retratando suas aprendizagens... Escolhi o Pólo de Gravataí e lá visitei o BLOG do Paulo Medeiros, um professor apaixonado pela Educação e autor de um BLOG fascinante! Faço um convite aos colegas para visitarem este espaço de escrita criativa e ousada!

Sunday, November 08, 2009

O menino Selvagem



Pois viver deveria ser - até o último pensamento e derradeiro olhar - transformar-se.
Lya Luft

Na Interdisciplina de Libras realizamos uma atividade sobre os registros de Itard com relação as suas tentativas de educar um menino selvagem chamado Victor. Os trabalhos realizados foram registrados em dois relatórios:
O primeiro, Da educação de um homem selvagem ou dos primeiros desenvolvimentos físicos e morais do jovem Selvagem do Aveyron, é dirigido a Societé des Observateurs de l’Homme, em outubro de 1801, após 9 meses de trabalho. Nele Itard descreve a captura e o estado em que se encontrava o menino e “defende a idéia de que, sendo a causa de seu mutismo e hábitos estranhos o isolamento em que vivera desde a mais tenra infância, seria passível de reeducação, desde que submetido a métodos adequados” (BANKS -LEITE E GALVÃO, p.17, 2000). Apresenta também neste relatório os cinco objetivos que pautaram seu programa de ensino, descrevendo as ações e as respostas do menino a cada uma das metas.
O segundo relatório, Relatório feito a Sua Excelência o ministro do interior sobre os novos desenvolvimentos e o estado atual do Selvagem de Aveyron, é apresentado por solicitação do Ministro do interior em setembro de 1806. Nele Itard relata com honestidade os êxitos e fracassos do menino, atribuindo os poucos progressos mais aos seus desacertos como professor do que a falta de capacidade de Victor em aprender, transmite algumas esperanças, apesar do tom de desânimo por seu fracasso. Assim convence o governo a manter o financiamento ao seu estudo.
Estes relatórios serviram para divulgação da experiência e passam a ser apreciados e discutidos pela comunidade científica, especialmente nas áreas da educação especial, psiquiatria, psicanálise e educação de surdos. A partir destes registros François Truffaut dirigi um filme que faz grande sucesso e desperta o interesse do meio acadêmico (L’enfant sauvage, 1969).
Apesar das inúmeras tentativas de Itard, as interações sociais e as manifestações típicas da infância aparentemente não foram consideradas significativamente, pois o isolamento do menino no Instituto Nacional de Surdos-Mudos e a convivência somente com pessoas adultas talvez possam ter contribuído para o fracasso de sua experiência.

Modelos de Letramento e as práticas de alfabetização na escola

Kleiman (2006) destaca que a prática realizada nas escolas é de um modelo de letramento autônomo, onde o processo de aquisição da escrita é “neutro”. Esta neutralidade consiste em não utilizar o contexto social e a vivências dos alunos e alunas para proporcionar uma aprendizagem significativa e que dialogue com as concepções que estas crianças ou adultos já trazem de seus ambientes sociais. Como exemplo deste distanciamento entre saberes da vivência social e saberes do sistema escolar, a autora utiliza os estudos de Carraher, Carraher & Schliemann (1988), que investigaram crianças com grandes habilidades para resolverem problemas matemáticos no seu cotidiano e que enfrentavam dificuldades de aprendizagem na escola.
A proposta de alfabetização e pós alfabetização pelo método GEEMPA foi uma opção da nossa escola entre os métodos disponibilizados pela Secretaria Estadual do RS. A escolha deste método até o momento demonstra ter sido adequada, pois o mesmo contribui para alfabetização voltada para interação alunos (as) e objeto de estudo. Com propostas que evidenciam a preocupação com questões como: autonomia, criatividade e interação. A turma é subdividida em grupos que através da cooperação e colaboração entre seus participantes constrói sua aprendizagem. É interessante observar estas crianças trabalhando, pois ao contrário das demais turmas em que as professoras utilizam o método tradicional, elas e eles realizam as atividades de forma organizada e autônoma. Desta forma as crianças podem contribuir com suas experiências de vida e enriquecer as atividades de sala de aula.


Referências
Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola (KLEIMAN, 2006).

Sunday, November 01, 2009

Temas Geradores

"Talvez seja este o sentido mais exato da alfabetização: aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se, historicizar-se"
(FIORI. In: FREIRE, 1991, p. 10).

A utilização de temas geradores[1] na prática pedagógica se faz necessário pelo simples fato de proporcionar ao educador uma inserção no universo cultural do educando. Através de uma pesquisa prévia[2] neste universo são extraídas palavras que permitem iniciar um planejamento voltado aos interesses do educando. Estas palavras chamadas de “geradoras” são responsáveis pela formação de outras que fazem parte deste “universo vocabular do alfabetizando”. Esta “leitura de mundo” permite uma reconstrução onde os educandos re-criam criticamente seu mundo. Neste processo não há um professor, mas um mediador que estabelece uma relação dialógica entre educando e seu universo temático (conteúdo). “Através de sua permanente ação transformadora da realidade objetiva, os homens, simultaneamente, criam a história e se fazem seres histórico-sociais” (FREIRE, 1991, p.92). O conhecimento é dialógico (não é só histórico, epistemológico e lógico). A dialética é revolucionária e questionadora. A contradição se dá quando existe diálogo. Sua teoria é a teoria do diálogo e do respeito ao outro.
[1] “Estes temas se chamam geradores porque, qualquer que seja a natureza de sua compreensão, como a ação por eles provocada, contêm em si a possibilidade de desdobrar-se em outros tantos temas que, por sua vez, provocam novas tarefas que devem ser cumpridas” (FREIRE, 1991, p. 93).
[2] Esta investigação consiste em conhecer a realidade e como este homem atua sobre esta realidade, é investigar a sua práxis (FREIRE, 1991).
Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 19ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

Sunday, October 25, 2009

PROJETO MULTIFEIRA



Dando continuidade às reflexões sobre a Interdisciplina de Didática e as ações realizadas na minha escola para propiciar um ambiente profícuo de aprendizagem, trago como exemplo, o Projeto MULTIFEIRA. Este projeto faz parte do nosso Calendário Escolar e possibilita um trabalho conjunto entre as diferentes áreas do conhecimento, professores (as) e alunos (as). O ideal seria que no cotidiano da escola esta prática permeasse todo planejamento. Porém, citando meu exemplo, ainda precisamos avançar para construir este ambiente referido por Dewey: “A escola precisa propiciar um ambiente de aprendizagem para que a criança possa resolver problemas reais de sua vida, através de práticas educativas conjuntas onde ocorram situações de cooperação”. A foto publicada é do projeto das séries iniciais do Ensino Fundamental sobre o lixo e as possibilidades de utilização de materiais recicláveis em brinquedos e objetos de decoração. A idéia surgiu após uma saída de campo da professora da 3ª série e 3º ano que fotografou e coletou inúmeros materiais jogados na rua. A partir desta constatação promoveu momentos de pesquisa e oficinas com as crianças e o resultado foi apresentado na MULTIFEIRA.

Saturday, October 17, 2009

Comparando... o novo e o velho?


É interessante comparar a nossa realidade com o referencial teórico proposto neste semestre pela Interdisciplina DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO. Observa-se que apesar de inúmeras discussões e propostas na educação ao longo destes anos poucas mudanças foram percebidas na prática decente. Esta questão de como ensinar? O que ensinar? Motivar? Avaliar nossos alunos (as) são problemas muito atuais e que precisam ser discutidos no âmbito das escolas públicas, e aqui me refiro a escola pública estadual. Então com a intenção de contribuir com esta discussão faço um recorte das leituras do enfoque temático sobre o movimento da Escola Nova. John Dewey (1859-1952) inspirou no Brasil o movimento da Escola Nova, por defender como principais ingredientes da educação, a atividade prática e a democracia. A escola precisa propiciar um ambiente de aprendizagem para que a criança possa resolver problemas reais de sua vida, através de práticas educativas conjuntas onde ocorram situações de cooperação. “A experiência educativa é, para Dewey, reflexiva, resultando em novos conhecimentos. Deve seguir alguns pontos essenciais: que o aluno esteja numa verdadeira situação de experimentação, que a atividade o interesse, que haja um problema a resolver, que ele possua os conhecimentos para agir diante da situação e que tenha a chance de testar suas idéias. Reflexão e ação devem estar ligadas, são parte de um todo indivisível” (p. 26).
Algumas idéias de Ovide Decroly (1871-1932) são semelhantes à de John Dewey, quanto à universalização do ensino, trabalhos em grupo com ênfase em assuntos de interesse nos alunos e os métodos ativos. Para Decroly o aluno possui a possibilidade de conduzir seu próprio aprendizado podendo assim “aprender a aprender” (p. 34). A professora Marisa del Cioppo Elias, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo explica que o conceito de centros de interesse descritos por Decroly, nada mais é do que o conceito atual de Interdisciplinaridade. “Os métodos e as atividades propostos pelo educador têm por objetivo, fundamentalmente, desenvolver três atributos: a observação, a associação e a expressão. A observação é compreendida como uma atitude constante no processo educativo. A associação permite que o conhecimento adquirido pela observação seja entendido em termos de tempo e de espaço. E a expressão faz com que a criança externe e compartilhe o que aprendeu” (p.35).

Monday, October 12, 2009

ESCOLA É


Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar... (FREIRE, 2003, p.66)


Estamos discutindo o texto de Regina Hara (1992), através do Fórum da Interdisciplina: Educaçâo de Jovens e Adultos no Brasil. A autora propõe uma reflexão com relação a nossa prática docente e os desafios de manter o interesse destes jovens e adultos na escola, sendo estes sujeitos originários da classe popular. São pessoas que não tiveram oportunidade de aprender quando crianças e assim ficaram a margem da sociedade. É complicado falar desta realidade sem estar inserido nela, não sou professora da EJA, mas participo das discussões e reuniões de colegas desta modalidade. Percebe-se assim como na contextualização do texto de Hara (1992) que estes educadores (as) enfrentam muitos desafios e dificuldades para exercer a sua docência. Na nossa escola, temos neste ano uma EJA formada por muitos alunos (as) que foram transferidos do Ensino Regular e que enfrentam problemas de autoestima e autoimagem, consideram-se fracassados, pois em sua maioria possuem um histórico de duas ou três reprovações por série. Então o desafio este ano é MOTIVAR... “Dificuldades em ensinar, em lidar com a motivação, em conseguir ganhos de consciência são permanentes nos depoimentos daqueles que buscaram o trabalho com adultos das camadas populares” (HARA, 1992, p. 1). A evasão existe e nos coloca a prova todos os dias, a cada desistência... Citando o professor Helvécio (01/10/2009): “Motivar nossos educandos implica em primeiro nos motivarmos a nós mesmos. Esta é a nossa primeira conquista. Para tanto, é necessário que estejamos abertos ao novo e ao diferente. (...) O desafio está dado, resta-nos a nós (educadores) enfrentarmos e transformá-lo em elemento de nossa prática pedagógica, que antes de tudo é prática social. A melhor forma de alfabetizar, para mim, é levar em conta aquilo que o educando sabe, ressignificar esse saber, organizá-lo e devolvê-lo organizadamente a ele para que ele de posse da cultura letrada lute pelo espaço político e social ao qual ou aos quais ele (educando/cidadão) tem direito e, muitas vezes ou quase sempre, não sabe porque lhe falta a informação”.

Thursday, October 01, 2009

Lições do Rio Grande

Ontem, dia 30/09, participei de um encontro de diretores da 28ª CRE (Coordenadoria de Educação), neste encontro recebemos os cadernos “Lições do Rio Grande”, que possuem a proposta de Referencial Curricular para as escolas estaduais. Este material será entregue para todos os professores dos anos finais do Ensino Fundamental e Médio, reúne as habilidades e competências cognitivas e os conteúdos mínimos que devem ser desenvolvidos em cada série. Os Referenciais Curriculares, separados em cinco volumes de acordo com quatro áreas do conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, devem ser utilizados para auxiliar as equipes pedagógicas das instituições na organização dos currículos escolares e na elaboração dos planos de estudos para o próximo ano. Além dos cadernos de referência, os professores também contarão com cadernos de atividades para todos os alunos contendo estratégias de intervenção pedagógica que favoreçam a construção da aprendizagem. A proposta é interessante e parte do principio de que precisamos partir das experiências dos alunos (as) e proporcionar um ambiente de desafio e mudança. Durante a reunião colegas questionaram sobre a distribuição deste material para EJA, a resposta foi que pode ser aplicado, mas é preciso analisar a distribuição dos cadernos aos estudantes. Apesar da nossa saturação quanto às propostas do governo este material apresenta muitas das nossas antigas reivindicações. E, portanto precisamos analisá-lo...

Tuesday, September 29, 2009

Vivências e Aprendizagens

Esta foto representa alguns sentimentos experimentados nestes últimos dias...
Neste local, na beira da praia de Belém Novo já existiu um restaurante que hoje está em ruínas e faz parte da paisagem natural do local. Assim como esta construção nossa vida é feita de idas e vindas, de um constante criar e recriar, fazer e refazer ou desfazer...
Tenho estado ausente de alguns ambientes do curso, em especial este, onde registramos nossas vivências e aprendizagens durante cada semestre. Mas a dor da perda de uma pessoa importante na minha vida provocou um repensar, uma metamorfose silenciosa...

Tuesday, September 08, 2009

Educadores... seres imprescindíveis!

“O que é ser professor hoje? Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo, conviver; é ter consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores, assim como não se pode pensar num futuro sem poetas e filósofos. Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas. Diante dos falsos pregadores da palavra, dos marketeiros, eles são os verdadeiros “amantes da sabedoria”, os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento), porque constróem sentido para a vida das pessoas e para a humanidade e buscam, juntos, um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. Por isso eles são imprescindíveis” (GADOTTI, 2000).

Assim como os educadores que fizeram parte da minha trajetória escolar acredito que é necessário cultivar em nossas crianças e jovens: a autonomia, a dignidade e a ética. Valorizar a VIDA! Ser um sujeito curioso, perseverante, otimista, verdadeiro e íntegro. Proporcionar espaços de construção do conhecimento, participação e ação. Ser um sujeito ativo e comprometido com o futuro do Planeta.
Referências

GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2000.



Monday, June 15, 2009

Aldeia Tekõa Jataíty

À sua maneira, as culturas indígenas expressam os grandes valores universais. Nas solenidades das festas, no refinamento dos vestidos e na pintura corporal, na educação dos filhos, na concepção sagrada do cosmos, elas manifestam a consciência moral, estética, religiosa e social. A diversidade de visões do mundo, do homem e dos modos de organização da vida, os conhecimentos e os valores transmitidos de pais para filhos, a tradição oral e a experiência empírica são a base e a força dos conhecimentos e dos valores. A territorialidade atua como um estado de espírito e os ritos e os mitos, como referência da identidade e da consciência humana e da natureza (Gersen dos Santos Luciano, 2006).

Para realizar a atividade da Interdisciplina: Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História foram utilizados dados coletados, em 2002, na Aldeia Tekõa Jataíty, no Canta Galo, Viamão/RS. Outro fator para o interesse por informações sobre a sociedade dos Mbyá Guarani é a falta de material escrito sobre este grupo, pois durante a pesquisa de campo realizada para coleta de dados percebi que o setor público, como a Casa de Cultura Municipal de Viamão, não dispõe de material para pesquisa. O preconceito implícito no modo como as pessoas falam dos Mbyás-Guarani e dos índios em geral, chamando-os de preguiçosos, traiçoeiros e invasores, demonstra claramente a falta de informação sobre a importância histórica da cultura[1] deste povo. Cultura rica e com inúmeras contribuições quanto a sua organização social e política dentro das aldeias, que certamente se opõem a nossa cultura excludente.
CRIANÇAS E JOVENS MBYÁS
A infância dos Mbyás é marcada por momentos significativos, até os dois anos, a criança vive uma fase muito especial, a família lhe dá todo o cuidado. A comunidade observa a suas atitudes. Tenta, então, interpretar quais os potenciais e os dons que ela tem. Para os Mbyás, a criança já nasce com potenciais do que terá no futuro. Os pais nunca obrigam a ser alguém que não é. Na Aldeia Tekoã Jataíty do Canta Galo, somente aos oito anos de idade a criança recebe a autorização para aprender a língua portuguesa, sendo que até essa idade eles apenas falam em tupi guarani. Assim a cultura guarani é preservada e transmitida entre as gerações, pois até os oito anos as crianças são educadas pelos pais-principalmente pela mulher que exerce um papel fundamental na educação dentro da família, cabendo a eles a transmissão cultural e a preservação da tradição dos antepassados. Por volta dos quinze anos, os jovens e as jovens Mbyás já são considerados aptos para decidirem o caminho que querem seguir. Contudo, eles sempre são lembrados de que precisam observar a educação dada pelos pais e pela comunidade e de que precisam agir dentro dos limites de sua cultura. Só assim serão considerados sábios e serão respeitados.
Referências

LUCIANO, Gersen dos Santos. Os índios no Brasil quem são e quantos são. Texto extraído do Livro O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília, 2006.
Site: http://www.trilhasdeconhecimentos.etc.br/
MORAES, Rosária Lanziotti. Mbyá-Guarani: uma releitura acerca de sua cultura. PUCRS, 2002.


[1] O reconhecimento da cidadania indígena brasileira e, conseqüentemente, a valorização das culturas indígenas possibilitaram uma nova consciência étnica dos povos indígenas do Brasil. Ser índio transformou-se em sinônimo de orgulho identitário. Ser índio passou de uma generalidade social para uma expressão sociocultural importante do país. Ser índio não está mais associado a um estágio de vida, mas à qualidade, à riqueza e à espiritualidade de vida. Ser tratado como sujeito de direito na sociedade é um marco na história indígena brasileira, propulsor de muitas conquistas políticas, culturais, econômicas e sociais (Gersen dos Santos Luciano, 2006).

Sunday, June 07, 2009

Indisciplina x Violência no ambiente escolar


O texto sugerido para a atividade da Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, de Jaqueline Picetti, Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança? - permite uma análise de atitudes de violência observadas na escola através da teoria de Piaget. A autora propõe que o educador frente a uma situação de conflito ou violência entre as crianças faça uma reflexão sobre o processo de desenvolvimento destes alunos, para evitar punições que sirvam apenas para exclusão de determinado grupo. “Seria importante a escola inserir em seu contexto o respeito pelo processo de desenvolvimento moral, não tachando mais certos comportamentos como violentos, mas como características de uma determinada fase da construção da autonomia da criança, pois, para que o sentimento de justiça se desenvolva, são necessários o respeito mútuo e a solidariedade entre as crianças e os adultos” (PICETTI). Em 2003, realizei um estudo sobre a importância da parceria entre família e escola, e a indisciplina na sala de aula foi uma das principais características apontada pelos professores e professoras entrevistados em relação à turma que escolhi para observar e entrevistar. Conforme De La Taille (1996), a indisciplina é um assunto extremamente delicado e até perigoso, devido à amplitude do tema e às tentativas, às vezes falhas, de explicá-lo. Para melhor compreender esta indisciplina é preciso um olhar mais amplo, pois segundo o autor... “está em jogo o lugar que a escola ocupa na sociedade, o lugar que a criança e o jovem ocupam, o lugar que a moral ocupa” (p. 22), sendo ingênuo pensar que “a falha” ou “as falhas” estariam apenas na escola ou linha pedagógica adotada pelo professor ou professora em sala de aula. De La Taille (1996, p.23) propõe, ao final do texto, “A indisciplina e o sentimento de vergonha”, que a escola precisa lembrar com muita ênfase “a seus alunos e à sociedade como um todo, que sua finalidade principal é a preparação para o exercício da cidadania”. Segundo o autor, para ser cidadão, “são necessários sólidos conhecimentos, memória, respeito pelo espaço público, um conjunto mínimo de normas de relações interpessoais, e diálogo franco entre olhares éticos”.
Referências
DE LA TAILLE, Yves. A indisciplina e o sentimento de vergonha. In: AQUINO, Júlio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.

MORAES, Rosária Lanziotti. Família e escola: parceiras ou rivais? 2003. Dissertação (Mestrado em Educação) Faculdade de Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2003.
PICETTI, Jaqueline. Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança? Texto publicado no ambiente ROODA - Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, PEAD, UFRGS, 2009.

Tuesday, June 02, 2009

EDUCADOR Educa a dor


No dia da apresentação do nosso PA: Inclusão Digital na Vida Adulta, no Salão EAD, cheguei mais cedo na UFRGS e aproveitei para visitar a Biblioteca da FACED e lá encontrei este maravilhoso Livro: EDUCADOR Educa a dor, escrito por Madalena Freire. Nas primeiras páginas percebe-se que é um livro para ser apreciado em doses homeopáticas... Assim como a apresentação no Salão, sua leitura provoca inúmeras sensações e torna-se a cada instante mais interessante!
Depois de tantas emoções quero agradecer a todas e a todos os colegas que colaboraram na construção destes projetos. Inclusive aqueles que mesmo a distância fizeram sua parte com mensagens de incentivo e CORAGEM!
Quero agradecer ao carinho da colega responsável pela sala em que estávamos a Luciana Boff Turchielo, fiquei emocionada com suas palavras com relação ao Pólo de Alvorada!
Muito Obrigada também às professoras e tutoras da UFRGS e do Pólo de Alvorada, que proporcionaram este momento especial! E a professora Luciane que acreditou em nós e não economizou noites e finais de semana na construção de nossos relatos, aliás, colaboração/cooperação e InterAÇÃO não faltaram!
Como coloca Primo (2003) não é justo tratar os envolvidos nesse processo de mediação como apenas usuários, fazendo da tecnologia a estrela maior. A estrela somos nós, que através de nossas escritas, colaborações e cooperação vamos fazer esse processo funcionar.

Friday, May 22, 2009

Campanha do Bugio

Moro na zona rural do Município de Viamão e convivemos com os bugios no pátio das nossas casas. São animais dóceis e inofensivos e não são responsáveis pela Febre amarela. Ao contrário, estão morrendo... Por amor não sacrifiquem nenhum animal!!! Colegas divulguem com seus alunos e alunas precisamos informar nossas comunidades.

Friday, May 15, 2009

Projeto de Aprendizagem Coletivo


Iniciamos neste VI semestre do Curso de Pedagogia à distância (PEAD) da UFRGS a elaboração de um Projeto de Aprendizagem Coletivo, esta atividade faz parte da avaliação da Interdisciplina Seminário Integrador VI. Nesta etapa do projeto estamos elaborando as certezas e dúvidas e definindo nossa questão principal. Esta escolha não é um processo fácil, pois somos cinco alunas- professoras com diferentes formações e ambientes de trabalho. É interessante como em alguns momentos a impressão que temos é de que não chegaremos a um consenso. Utilizamos até uma votação para definir o assunto: " O Barulho na Escola"! Realizei algumas pesquisas e encontrei um projeto semelhante de um curso ead.sec.ba.gov. A minha idéia inicial era trabalhar a Síndrome de Burnout que é "definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço". Esta idéia surgiu a partir da minha experiência como gestora, pois temos que lidar com tantas crises emocionais, doenças e problemas pessoais que em alguns momentos penso estar ficando "louca"! Ainda bem que este é um ano de eleições na escola...