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Sunday, June 07, 2009

Indisciplina x Violência no ambiente escolar


O texto sugerido para a atividade da Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, de Jaqueline Picetti, Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança? - permite uma análise de atitudes de violência observadas na escola através da teoria de Piaget. A autora propõe que o educador frente a uma situação de conflito ou violência entre as crianças faça uma reflexão sobre o processo de desenvolvimento destes alunos, para evitar punições que sirvam apenas para exclusão de determinado grupo. “Seria importante a escola inserir em seu contexto o respeito pelo processo de desenvolvimento moral, não tachando mais certos comportamentos como violentos, mas como características de uma determinada fase da construção da autonomia da criança, pois, para que o sentimento de justiça se desenvolva, são necessários o respeito mútuo e a solidariedade entre as crianças e os adultos” (PICETTI). Em 2003, realizei um estudo sobre a importância da parceria entre família e escola, e a indisciplina na sala de aula foi uma das principais características apontada pelos professores e professoras entrevistados em relação à turma que escolhi para observar e entrevistar. Conforme De La Taille (1996), a indisciplina é um assunto extremamente delicado e até perigoso, devido à amplitude do tema e às tentativas, às vezes falhas, de explicá-lo. Para melhor compreender esta indisciplina é preciso um olhar mais amplo, pois segundo o autor... “está em jogo o lugar que a escola ocupa na sociedade, o lugar que a criança e o jovem ocupam, o lugar que a moral ocupa” (p. 22), sendo ingênuo pensar que “a falha” ou “as falhas” estariam apenas na escola ou linha pedagógica adotada pelo professor ou professora em sala de aula. De La Taille (1996, p.23) propõe, ao final do texto, “A indisciplina e o sentimento de vergonha”, que a escola precisa lembrar com muita ênfase “a seus alunos e à sociedade como um todo, que sua finalidade principal é a preparação para o exercício da cidadania”. Segundo o autor, para ser cidadão, “são necessários sólidos conhecimentos, memória, respeito pelo espaço público, um conjunto mínimo de normas de relações interpessoais, e diálogo franco entre olhares éticos”.
Referências
DE LA TAILLE, Yves. A indisciplina e o sentimento de vergonha. In: AQUINO, Júlio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.

MORAES, Rosária Lanziotti. Família e escola: parceiras ou rivais? 2003. Dissertação (Mestrado em Educação) Faculdade de Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2003.
PICETTI, Jaqueline. Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança? Texto publicado no ambiente ROODA - Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, PEAD, UFRGS, 2009.

Tuesday, June 02, 2009

EDUCADOR Educa a dor


No dia da apresentação do nosso PA: Inclusão Digital na Vida Adulta, no Salão EAD, cheguei mais cedo na UFRGS e aproveitei para visitar a Biblioteca da FACED e lá encontrei este maravilhoso Livro: EDUCADOR Educa a dor, escrito por Madalena Freire. Nas primeiras páginas percebe-se que é um livro para ser apreciado em doses homeopáticas... Assim como a apresentação no Salão, sua leitura provoca inúmeras sensações e torna-se a cada instante mais interessante!
Depois de tantas emoções quero agradecer a todas e a todos os colegas que colaboraram na construção destes projetos. Inclusive aqueles que mesmo a distância fizeram sua parte com mensagens de incentivo e CORAGEM!
Quero agradecer ao carinho da colega responsável pela sala em que estávamos a Luciana Boff Turchielo, fiquei emocionada com suas palavras com relação ao Pólo de Alvorada!
Muito Obrigada também às professoras e tutoras da UFRGS e do Pólo de Alvorada, que proporcionaram este momento especial! E a professora Luciane que acreditou em nós e não economizou noites e finais de semana na construção de nossos relatos, aliás, colaboração/cooperação e InterAÇÃO não faltaram!
Como coloca Primo (2003) não é justo tratar os envolvidos nesse processo de mediação como apenas usuários, fazendo da tecnologia a estrela maior. A estrela somos nós, que através de nossas escritas, colaborações e cooperação vamos fazer esse processo funcionar.

Monday, March 30, 2009

Sala de aula como um espaço de construção


“Porque entre o sim e o não é só um sopro, entre o bom e o mau apenas um pensamento, entre a vida e a morte só um leve sacudir de panos e a poeira do tempo, com todo o tempo que eu perdi, tudo recobre, tudo apaga, tudo torna tão simples e tão indiferente” (Luft, 2008,p.100).

No texto “Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos”, o autor enfatiza a importância do conhecimento construído pelo sujeito aprendiz, a partir das suas vivências
[1] e do conhecimento formal. Na pedagogia relacional para que ocorra aprendizagem o sujeito precisa interagir com o objeto. “A ação do sujeito, portanto, constitui, correlativamente, o objeto e o próprio sujeito. Sujeito e objeto não existem antes da ação do sujeito” (BECKER, 1995).
Nesta semana vivenciamos este processo através de um projeto na nossa escola, no qual todos se envolveram nas atividades, o tema foi a água e sua importância para nossa existência e a continuidade da vida em nosso planeta. Os alunos e alunas de todas as séries da Educação Infantil ao Ensino Médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos) contribuíram para realização de um evento (sábado 28/03) onde todas as atividades foram realizadas ao mesmo tempo. Alunos, professores e pais, participaram de atividades como: pintura dos muros da escola com desenhos e frases sobre a água, plantio de mudas de flores... Enfim um momento de construção coletiva, com leitura de poesias e apresentações de teatro... Esta experiência possibilitou ao grupo perceber a diferença entre uma aula tradicional e um projeto interdisciplinar. É evidente que a mudança de atitude não é um processo rápido, mas acredito que este seja o caminho.
Conforme Becker (1995), para que ocorra uma mudança de paradigma é necessário que o professor responda a seguinte questão: “que cidadão ele quer que seu aluno seja”? O autor ressalta a importância de “partir da experiência do educando, recuperando o sentido do processo pedagógico, isto é, recuperando e (re)constituindo o próprio sentido do mundo do educando... e do educador”.
Assim, a relação professor e aluno torna-se prazerosa com momentos de troca de experiências e aprendizagens. “Nesta relação, professor e alunos avançam no tempo” (BECKER, 1995). O ambiente da sala de aula transforma-se em “um espaço prazeroso de construção do conhecimento, um espaço de pesquisa, de choro, de risos, de descobertas, de vida... transpondo estruturas estabelecidas e modelos padronizados” (Trecho da atividade do semestre 2/2007).
Referências

BECKER, F. Modelos Pedagógicos & Modelos Epistemológicos. In: SILVA, Luiz Heron: AZEVEDO, José Clóvis (Org.) Paixão de aprender II. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
LUFT, Lya. O silêncio dos amantes. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.
[1] O professor, além de ensinar, precisa aprender o que seu aluno já construiu até o momento - condição prévia das aprendizagens futuras (BECKER, 1995).