Saturday, May 29, 2010

Metamorfose: Projetos de Aprendizagem



Nesta quinta apresentamos nosso relato sobre Projetos de Aprendizagem no Salão de Ensino da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na sala estavam presentes as professoras Beatriz Corso Magdalena, Luciane Corte Real e Rosane Aragon de Nevado e alguns colegas do Pólo de Gravataí e Alvorada. Foi um momento de troca de experiências que estão sendo realizadas em turmas de Ensino Fundamental, como o nosso projeto e o do Paulo Medeiros (Pólo Gravataí) e projetos desenvolvidos dentro da UFRGS, com alunos e alunas da Universidade. A importância desta socialização está em perceber que nossas ações na sala de aula ou nas nossas escolas não estão isoladas. As propostas apresentadas sobre a escrita do PA se constituem em momentos de construção coletiva de conceitos com a utilização dos recursos interativos disponíveis na web. A intenção desta ação é proporcionar aos nossos alunos e alunas a troca de informações e a escrita responsável de seus textos. Daí a sua complexidade, pois não incentivamos a cópia de textos ou idéias prontas, mas a escrita de textos de sua autoria. Este processo requer um olhar atento do professor (a) durante a escrita coletiva do texto. Para Magdalena e Costa (2003, p. 93) o aluno durante a proposta inicial do PA... “Precisa aprender a entregar-se com alegria à aventura de soltar a imaginação e a inteligência para criar e construir o novo, sempre disposto a reconstruir, na medida em que entende a relatividade do produzido”.




Referências


COSTA, Iris Elisabeth Tempel; MAGDALENA, Beatriz Corso. Revisitando os Projetos de Aprendizagem, em tempos de web 2.0. Faculdade de Educação/PEAD - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Porto Alegre – RS – Brasil.

Saturday, May 22, 2010

Apresentação de Relato no Salão de Ensino


Nesta próxima semana estará acontecendo o Salão de Ensino da UFRGS, nos dias 26,27 e 28 de maio, nosso grupo vai apresentar um relato sobre a escrita do Projeto de Aprendizagem (PA) e como esta arquitetura pedagógica pode ser utilizada na sala de aula. Nossa primeira experiência na aplicação do PA com crianças foi no Seminário Integrador VII, com a orientação das professoras Beatriz Magdalena e Irís Costa, porém por ser uma atividade com o tempo reduzido, apenas iniciamos o processo, com a escolha da questão principal e as dúvidas temporárias e certezas provisórias. Para nossa apresentação, no dia 27 de maio, fizemos um elo entre esta experiência e as observações realizadas durante o nosso estágio. Afinal já estamos trabalhando com PA há seis semanas. Conversando com o Professor Paulo Albuquerque e a Rossana, na visita do estágio esta semana, comentei sobre a importância deste trabalho para a autoestima de alguns alunos (as). Pois conheço as crianças da minha turma de estágio das séries anteriores e observei que dos alunos repetentes, dois se destacam muito quando utilizamos a sala de informática, contribuindo para organização do seu grupo. Esta mudança de atitude pode ser atribuída à metodologia desta arquitetura em que o aluno participa e pode opinar na construção do texto de seu grupo.

Sunday, May 16, 2010

Desafios...




"Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo"
Paulo Freire (1981).



Durante estas cinco semanas de estágio o objetivo das atividades foram proporcionar a estas crianças a compreensão do fato histórico a partir de suas vivências. Para percorrer este caminho utilizamos (eu e a professora Josiane) o conhecimento prévio como ponto de partida e à medida que as crianças foram compreendendo este conceito e como escrever um PA fomos avançando em nossas aprendizagens. Realizamos uma reunião com pais e mães para apresentação do PA (seus objetivos) e conseguimos que a maioria liberasse o uso da imagem de seus filhos e filhas. O retorno das famílias enviando materiais como: fotos, filmes (do Teixeirinha) o folder com o mapa de Itapuã, demonstra sua aprovação. Acho que apesar das minhas limitações tenho conseguido desenvolver de forma tranqüila o projeto. A dificuldade, ou melhor, o desafio da construção do PA é a mediação durante a elaboração deste trabalho coletivo, pois é difícil proporcionar estes momentos de interação, flexibilidade e registro que a escrita de um PA exige. Durante este período apareceram inúmeras questões e desafios, pois estes ambientes pressupõem que os alunos tornem-se sujeitos ativos, ampliando suas redes de colaboração. A dificuldade de sua aplicabilidade é a ausência de um modelo ou uma receita passo a passo (daí sua beleza), pois cada grupo, à medida que percorre este caminho faz diferentes escolhas e ter pernas para alcançá-los é o DESAFIO!

O endereço da página da turma é: http://turma419.pbworks.com/

Sunday, May 09, 2010

Falando em histórias...


Um pouco da minha história de vida está aí... Meus filhos e nora (Almoço em Itapuã - Dia das Mães)

"Pensar não é saber as respostas. Pensar é saber fazer perguntas. Sobre esse assunto aconselho a leitura do prefácio à Crítica da Razão Pura, de Kant, em que ele diz precisamente isto: que o conhecimento se inicia com as perguntas que fazemos à natureza. Mas essas perguntas surgem quando nós, ao contemplarmos a natureza, nos sentimos provocados por seus assombros. O início do pensamento se encontra nos olhos que têm a capacidade de se assombrar com o que vêem" (ALVES, 2005, p. 81).

Estou muito feliz com o andamento do trabalho, nesta semana foi mais tranqüilo, realizamos várias atividades e preparamos as homenagens das mães. Ontem dia 8 de maio foi dia letivo na escola realizamos nosso Chá em homenagem às mães, minha turma apresentou uma música e projetamos um power point com fotos deles quando bebês. Foi muito bom este trabalho, pois as crianças trouxeram fotos da escola e de professores(as) que já não fazem mais parte do nosso quadro de pessoal. Estes momentos proporcionaram um excelente exercício de trazer a tona queridas recordações! Nossos alunos (meus e da Josiane) estão muito aplicados trouxeram até um filme do Teixeirinha (Pobre João) filmado aqui na comunidade, passamos a manhã de sexta (7/05) assistindo ao filme e concluindo os ensaios da apresentação e confecção do presente das mães (uma sacola retornável para fazer compras). As crianças através de suas pesquisas e relatos demonstram estar descobrindo uma maneira diferente de ver e sentir Itapuã. Um aluno trouxe um folder com um mapa de Itapuã. As crianças acabam fazendo um excelente trabalho de garimpagem com suas famílias e vizinhos. Já estou perdendo um pouco aquele medo de não conseguir concluir o PA.

Referências

ALVES, Rubem Azevedo. Educação dos sentidos e mais... Campinas: Verus, 2005.

Saturday, May 01, 2010

Um pouco de história...




Ir além desta escrita, pensá-la dentro e fora de nós mesmos, relacioná-la com nosso cotidiano (experiência), imprimir nesta escrita a inquietação que nos fez iniciar a caminhada. Ler e escrever textos “ativos, performativos, assinados” (FISCHER, 2005,p.122).

Nesta semana tivemos alguns avanços, com a ajuda da minha colega e regente da turma 419 fizemos os e-mails para os grupos. Cada grupo terá um e-mail para acessar seu espaço (turma419.a@gmail.com). Assim fica mais fácil realizarem o login, já que estávamos demorando muito até que todos os grupos tivessem acesso a escrita no seu PBWORK, pois eu precisava ir em cada grupo e colocar minha senha. Desta forma eles terão mais autonomia nas postagens e poderão mostrar o trabalho para seus familiares, já que alguns possuem acesso a Internet em casa ou na Lan House. Este processo, de escrita coletiva, é um constante aprendizado para professora e alunos (as), pois apesar de conhecer a metodologia de escrita de um PA, nunca havia tido esta possibilidade de deixar as crianças “experimentarem” suas ferramentas. No semestre passado (VII) no Seminário Integrador iniciamos as testagens, mas não refletimos sobre sua aplicabilidade. Ainda tenho dúvidas com relação à orientação destes PA(s), mas “algo me diz” que estamos no caminho. A cada aula os grupos estão se dando conta dos objetivos do projeto e como pesquisar na Internet, a importância de escrever o endereço da página em que pesquisaram como referencial de seu trabalho. Ontem (30/04) fomos caminhar pela Vila de Itapuã conversando sobre o comércio local e as diferentes profissões que os pais e mães dos alunos (as) exercem. Saímos com a máquina fotográfica e tiramos fotos da turma em frente a Igreja e aproveitamos para ler a data de fundação (1875) escrita acima da porta. Eles (as) calcularam quantos anos aquela igreja está ali. Apesar das adversidades do cotidiano a experiência do estágio tem sido prazerosa e desafiadora. Estas crianças estão sendo muito mais do que simples alunos(as), tem sido uma alegria e um imenso manancial de alegrias! Agradeço a todos(as) vocês pela oportunidade de participar de suas conquistas e aprendizagens!

Wednesday, April 21, 2010

"Pensando em PA"

Minha turma de estágio é a primeira turma da escola a ser alfabetizada pelo método GEEMPA. A professora regente da turma fez o curso do GEEMPA por dois anos consecutivos e aplica esta metodologia atualmente na sala de aula. Assim estou adaptando meu projeto às expectativas destas crianças. Iniciamos com uma história de Monteiro Lobato, com a intenção de resgatar através de seus personagens um pouco da história de vida destas crianças (zona rural). Conversando com a professora da turma elaboramos um projeto que tenha continuidade mesmo após o término do estágio. Pretendo que percebam através da narrativa de suas histórias de vida e de seus familiares, que existe uma ligação permanente do ser humano com seu ambiente, neste caso Itapuã. Algumas pessoas desta comunidade sofrem até hoje as conseqüências da implantação do Parque Estadual de Itapuã, pois a extração de pedras e o comércio informal (produtos artesanais e coloniais) movimentavam a economia local. O turismo na região gerava renda e empregos para os moradores. Com a implantação do parque estas pessoas foram retiradas de suas terras e poucos conseguiram recuperar-se economicamente. Algumas vivem da pesca e formam a colônia de pescadores Z4. A proposta deste projeto é resgatar a história destas famílias da região através de relatos, entrevistas, fotos e documentos. Cada grupo (sete grupos com quatro alunos) criou uma página no PBWORK para registro da nossa caminhada. As questões estão surgindo durante a escrita destas crianças, não há um momento de eleger a questão principal. O objetivo inicial é permitir que as crianças explorem este ambiente e aprendam como utilizá-lo. Em seguida, esta pesquisa será registrada no PA coletivo da turma 419, através de gráficos, mapas, desenhos, imagens e relatos.

Sunday, April 18, 2010

A construção do projeto

Dentro do projeto do estágio sobre Itapuã realizamos uma atividade importante de registro de algumas idéias das crianças sobre o assunto. Cada um respondeu em uma folha:
“O que você não sabe, mas gostaria de saber sobre”
ITAPUÃ
“Eu não sei quantos metros é de Itapuã a Porto Alegre”.
“Eu não conheço o Farol de Itapuã”
“Todas as lendas de Itapuã”.
Quantos habitantes?
“Eu gostaria de saber quantas mulheres vivem em Itapuã”.
VIAMÃO
“Eu não conheço o Centro de Viamão”
“Do que vivem as pessoas”?
“Quanto gastam de água”?
“Qual a pessoa mais antiga que vive em Viamão”?
“Eu queria saber o que ta acontecendo em Viamão agora”.

E assim foram muitas idéias interessantes para a continuidade do trabalho, talvez uma visita aos pontos turísticos de Viamão, ir ao centro, praça, Prefeitura... Casa de Cultura. Alguma atividade cultural, como cinema, onde tem cinema em Viamão? Esta até eu não sabia tem na Vila Santa Isabel. A semana foi tranqüila, as crianças ficaram interessadas no projeto, adoraram formar os grupos, estão motivados e realizando as atividades.
É bem diferente estar em sala de aula, após estes três (3) anos de mandato como Diretora, é outro espaço, não sei como descrever, uma sensação de aconchego...
Alguns dos conceitos que permeiam este projeto estão descritos em FISCHER (2005):







Referências
FISCHER, Rosa Maria Bueno. Escrita Acadêmica: arte de assinar o que se lê. In: COSTA, M. e BUJES, M. Isabel. (org.) Caminhos Investigativos III: riscos e possibilidades de pesquisar nas fronteiras. Rio de Janeiro; DP&A, 2005. p. 117-140.

Sunday, April 11, 2010

Oralidade e Memória

Neste primeiro encontro presencial do nosso grupo de estágio, que terá a supervisão do Professor Paulo Albuquerque e tutora Rossana Della Costa todos (as) socializaram em linhas gerais seu ambiente de trabalho e as idéias iniciais de seu planejamento. Participar deste relato proporcionou conhecer melhor o trabalho desenvolvido por nossas colegas e compreender "na prática" os objetivos deste estágio. Nesta conversa inicial escolhi como ponto de partida para o meu planejamento da escola resgatar através do relato dos moradores de Itapuã e pesquisa na sede do município de Viamão, um pouco da história desta comunidade. Ensinar o componente curricular de estudos sociais para crianças não é tarefa das mais fáceis. Os alunos das séries iniciais parecem ter mais dificuldade em compreender os fatos históricos e relaciona-los com o presente. Alguns questionam porque devem estudar o que já passou? para que decorar todas estas datas? que relação estes fatos tem com minha vida e minha família? Pretendo utilizar como um dos referenciais o livro:
ANTUNES, Aracy do Rego; MENANDRO, Heloisa Fesch; PAGANELLI, Tomoko Iyda. Estudos Sociais: Teoria e Prática. Rio de Janeiro, ACCESS, 1999.
Durante minha infância e parte da adolescência tentei entender os conceitos de história e sempre tinha a sensação de estar perdida... Por esse motivo acredito que a criança precisa compreender as origens do fato histórico a ser estudado, para isso precisa desenvolver noções/conceitos “prévios”. No caso da nossa escola, precisamos trabalhar com o município nesta série, sendo que o nosso é Viamão, mas nenhum livro do nosso acervo apresenta uma pesquisa atual e de qualidade sobre este município. Antes de estudar o município vamos falar sobre Itapuã, a localidade onde moramos e recortada pelo “Lago” Guaíba e a Laguna dos Patos, aliás, por onde chegaram os Açorianos... quanta informação...

Friday, April 02, 2010

Projeto Água




No dia 27/03 foram realizadas várias atividades na E.E.E.M. Dr. Genésio Pires, como uma forma de conscientização da Comunidade da Vila de Itapuã, em relação ao uso correto e sem desperdício da água. Além de trabalhos apresentados pelos alunos/alunas e professores/professoras sobre a importância da preservação deste patrimônio e os cuidados com o Arroio e Lago Guaíba que fazem parte deste cartão postal de Itapuã. Todos desenvolveram durante a semana da água, iniciada no dia 22/03, atividades na sala de aula com o objetivo de no sábado compartilhar com a Comunidade ações voltadas para preservação e o cuidado com a natureza. Nossa escola é a única da região que oferece aos estudantes de 5ª a 8ª séries, dois períodos semanais da disciplina Gestão Ambiental aprovada pela Comunidade Escolar, para fazer parte da nossa Base Curricular, a partir de um projeto de Educação Ambiental desenvolvido na escola. A iniciativa partiu da Professora Fátima Favero, autora do projeto, como uma forma de preparar nossas crianças e jovens para conviver pacificamente com a natureza e especialmente com o Parque Estadual de Itapuã. As atividades iniciaram com uma caminhada pela Vila de Itapuã com uma breve parada na margem do encontro do Arroio com o Lago Guaíba, na beira da Praia da Vila de Itapuã, onde os todos os presentes mostraram cartazes e trabalhos desenvolvidos em algumas turmas de Ensino Fundamental e Médio. A seguir, retornamos a escola e realizamos a abertura oficial, com o Hino Nacional e a música Planeta Água apresentada pelo Professor Leandro Duarte e a turma 81. A CORSAN participou com atividades diferenciadas para todos os visitantes, que incluíam uma maquete da Estação de Tratamento e produtos químicos utilizados para tornar a água potável. O posto de saúde da Vila também esteve presente conversando sobre as doenças e malefícios de uma água contaminada e os cuidados que precisamos ter com nossa saúde. A modalidade EJA colaborou com a elaboração de um tapete feito com diferentes materiais, confeccionado, durante toda manhã, pelos professores e alunos no saguão da escola. As séries Iniciais do Ensino Fundamental apresentaram diferentes trabalhos como maquetes e uma peça teatral.

Thursday, March 25, 2010

FELICIDADES!!!

E.E.E.M.Dr. Genésio Pires
Localizada na Vila de Itapuã - Município de Viamão.

"Dizem que toda a gente,
Durante a sua vida,
encontra uma vez,
mas uma vez só,
a FELICIDADE.
Os que a reconhecem
são os venturosos".

Mário de Sá- Carneiro (1890-1916) poeta português, em Felicidade Perdida, do Livro Obra Completa - Editora Nova Aguilar.

Desejo a todos (as) colegas do PEAD um Recomeço repleto de FELICIDADES!!!!

Sunday, November 22, 2009

Reflexão- Síntese!


Mais um semestre está terminando e no turbilhão de atividades, escritas, pesquisas, arquiteturas pedagógicas, escola, família, filhos, amigos... Estamos nós enlouquecidas (os) realizando uma (re) leitura de nossa caminhada no PEAD! A novidade é que vamos analisar o BLOG de um colega de outro Pólo! E esta interação é importante para perceber como os colegas de outos municípios estão pensando e retratando suas aprendizagens... Escolhi o Pólo de Gravataí e lá visitei o BLOG do Paulo Medeiros, um professor apaixonado pela Educação e autor de um BLOG fascinante! Faço um convite aos colegas para visitarem este espaço de escrita criativa e ousada!

Sunday, November 08, 2009

O menino Selvagem



Pois viver deveria ser - até o último pensamento e derradeiro olhar - transformar-se.
Lya Luft

Na Interdisciplina de Libras realizamos uma atividade sobre os registros de Itard com relação as suas tentativas de educar um menino selvagem chamado Victor. Os trabalhos realizados foram registrados em dois relatórios:
O primeiro, Da educação de um homem selvagem ou dos primeiros desenvolvimentos físicos e morais do jovem Selvagem do Aveyron, é dirigido a Societé des Observateurs de l’Homme, em outubro de 1801, após 9 meses de trabalho. Nele Itard descreve a captura e o estado em que se encontrava o menino e “defende a idéia de que, sendo a causa de seu mutismo e hábitos estranhos o isolamento em que vivera desde a mais tenra infância, seria passível de reeducação, desde que submetido a métodos adequados” (BANKS -LEITE E GALVÃO, p.17, 2000). Apresenta também neste relatório os cinco objetivos que pautaram seu programa de ensino, descrevendo as ações e as respostas do menino a cada uma das metas.
O segundo relatório, Relatório feito a Sua Excelência o ministro do interior sobre os novos desenvolvimentos e o estado atual do Selvagem de Aveyron, é apresentado por solicitação do Ministro do interior em setembro de 1806. Nele Itard relata com honestidade os êxitos e fracassos do menino, atribuindo os poucos progressos mais aos seus desacertos como professor do que a falta de capacidade de Victor em aprender, transmite algumas esperanças, apesar do tom de desânimo por seu fracasso. Assim convence o governo a manter o financiamento ao seu estudo.
Estes relatórios serviram para divulgação da experiência e passam a ser apreciados e discutidos pela comunidade científica, especialmente nas áreas da educação especial, psiquiatria, psicanálise e educação de surdos. A partir destes registros François Truffaut dirigi um filme que faz grande sucesso e desperta o interesse do meio acadêmico (L’enfant sauvage, 1969).
Apesar das inúmeras tentativas de Itard, as interações sociais e as manifestações típicas da infância aparentemente não foram consideradas significativamente, pois o isolamento do menino no Instituto Nacional de Surdos-Mudos e a convivência somente com pessoas adultas talvez possam ter contribuído para o fracasso de sua experiência.

Modelos de Letramento e as práticas de alfabetização na escola

Kleiman (2006) destaca que a prática realizada nas escolas é de um modelo de letramento autônomo, onde o processo de aquisição da escrita é “neutro”. Esta neutralidade consiste em não utilizar o contexto social e a vivências dos alunos e alunas para proporcionar uma aprendizagem significativa e que dialogue com as concepções que estas crianças ou adultos já trazem de seus ambientes sociais. Como exemplo deste distanciamento entre saberes da vivência social e saberes do sistema escolar, a autora utiliza os estudos de Carraher, Carraher & Schliemann (1988), que investigaram crianças com grandes habilidades para resolverem problemas matemáticos no seu cotidiano e que enfrentavam dificuldades de aprendizagem na escola.
A proposta de alfabetização e pós alfabetização pelo método GEEMPA foi uma opção da nossa escola entre os métodos disponibilizados pela Secretaria Estadual do RS. A escolha deste método até o momento demonstra ter sido adequada, pois o mesmo contribui para alfabetização voltada para interação alunos (as) e objeto de estudo. Com propostas que evidenciam a preocupação com questões como: autonomia, criatividade e interação. A turma é subdividida em grupos que através da cooperação e colaboração entre seus participantes constrói sua aprendizagem. É interessante observar estas crianças trabalhando, pois ao contrário das demais turmas em que as professoras utilizam o método tradicional, elas e eles realizam as atividades de forma organizada e autônoma. Desta forma as crianças podem contribuir com suas experiências de vida e enriquecer as atividades de sala de aula.


Referências
Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola (KLEIMAN, 2006).

Sunday, November 01, 2009

Temas Geradores

"Talvez seja este o sentido mais exato da alfabetização: aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se, historicizar-se"
(FIORI. In: FREIRE, 1991, p. 10).

A utilização de temas geradores[1] na prática pedagógica se faz necessário pelo simples fato de proporcionar ao educador uma inserção no universo cultural do educando. Através de uma pesquisa prévia[2] neste universo são extraídas palavras que permitem iniciar um planejamento voltado aos interesses do educando. Estas palavras chamadas de “geradoras” são responsáveis pela formação de outras que fazem parte deste “universo vocabular do alfabetizando”. Esta “leitura de mundo” permite uma reconstrução onde os educandos re-criam criticamente seu mundo. Neste processo não há um professor, mas um mediador que estabelece uma relação dialógica entre educando e seu universo temático (conteúdo). “Através de sua permanente ação transformadora da realidade objetiva, os homens, simultaneamente, criam a história e se fazem seres histórico-sociais” (FREIRE, 1991, p.92). O conhecimento é dialógico (não é só histórico, epistemológico e lógico). A dialética é revolucionária e questionadora. A contradição se dá quando existe diálogo. Sua teoria é a teoria do diálogo e do respeito ao outro.
[1] “Estes temas se chamam geradores porque, qualquer que seja a natureza de sua compreensão, como a ação por eles provocada, contêm em si a possibilidade de desdobrar-se em outros tantos temas que, por sua vez, provocam novas tarefas que devem ser cumpridas” (FREIRE, 1991, p. 93).
[2] Esta investigação consiste em conhecer a realidade e como este homem atua sobre esta realidade, é investigar a sua práxis (FREIRE, 1991).
Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 19ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

Sunday, October 25, 2009

PROJETO MULTIFEIRA



Dando continuidade às reflexões sobre a Interdisciplina de Didática e as ações realizadas na minha escola para propiciar um ambiente profícuo de aprendizagem, trago como exemplo, o Projeto MULTIFEIRA. Este projeto faz parte do nosso Calendário Escolar e possibilita um trabalho conjunto entre as diferentes áreas do conhecimento, professores (as) e alunos (as). O ideal seria que no cotidiano da escola esta prática permeasse todo planejamento. Porém, citando meu exemplo, ainda precisamos avançar para construir este ambiente referido por Dewey: “A escola precisa propiciar um ambiente de aprendizagem para que a criança possa resolver problemas reais de sua vida, através de práticas educativas conjuntas onde ocorram situações de cooperação”. A foto publicada é do projeto das séries iniciais do Ensino Fundamental sobre o lixo e as possibilidades de utilização de materiais recicláveis em brinquedos e objetos de decoração. A idéia surgiu após uma saída de campo da professora da 3ª série e 3º ano que fotografou e coletou inúmeros materiais jogados na rua. A partir desta constatação promoveu momentos de pesquisa e oficinas com as crianças e o resultado foi apresentado na MULTIFEIRA.

Saturday, October 17, 2009

Comparando... o novo e o velho?


É interessante comparar a nossa realidade com o referencial teórico proposto neste semestre pela Interdisciplina DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO. Observa-se que apesar de inúmeras discussões e propostas na educação ao longo destes anos poucas mudanças foram percebidas na prática decente. Esta questão de como ensinar? O que ensinar? Motivar? Avaliar nossos alunos (as) são problemas muito atuais e que precisam ser discutidos no âmbito das escolas públicas, e aqui me refiro a escola pública estadual. Então com a intenção de contribuir com esta discussão faço um recorte das leituras do enfoque temático sobre o movimento da Escola Nova. John Dewey (1859-1952) inspirou no Brasil o movimento da Escola Nova, por defender como principais ingredientes da educação, a atividade prática e a democracia. A escola precisa propiciar um ambiente de aprendizagem para que a criança possa resolver problemas reais de sua vida, através de práticas educativas conjuntas onde ocorram situações de cooperação. “A experiência educativa é, para Dewey, reflexiva, resultando em novos conhecimentos. Deve seguir alguns pontos essenciais: que o aluno esteja numa verdadeira situação de experimentação, que a atividade o interesse, que haja um problema a resolver, que ele possua os conhecimentos para agir diante da situação e que tenha a chance de testar suas idéias. Reflexão e ação devem estar ligadas, são parte de um todo indivisível” (p. 26).
Algumas idéias de Ovide Decroly (1871-1932) são semelhantes à de John Dewey, quanto à universalização do ensino, trabalhos em grupo com ênfase em assuntos de interesse nos alunos e os métodos ativos. Para Decroly o aluno possui a possibilidade de conduzir seu próprio aprendizado podendo assim “aprender a aprender” (p. 34). A professora Marisa del Cioppo Elias, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo explica que o conceito de centros de interesse descritos por Decroly, nada mais é do que o conceito atual de Interdisciplinaridade. “Os métodos e as atividades propostos pelo educador têm por objetivo, fundamentalmente, desenvolver três atributos: a observação, a associação e a expressão. A observação é compreendida como uma atitude constante no processo educativo. A associação permite que o conhecimento adquirido pela observação seja entendido em termos de tempo e de espaço. E a expressão faz com que a criança externe e compartilhe o que aprendeu” (p.35).

Monday, October 12, 2009

ESCOLA É


Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar... (FREIRE, 2003, p.66)


Estamos discutindo o texto de Regina Hara (1992), através do Fórum da Interdisciplina: Educaçâo de Jovens e Adultos no Brasil. A autora propõe uma reflexão com relação a nossa prática docente e os desafios de manter o interesse destes jovens e adultos na escola, sendo estes sujeitos originários da classe popular. São pessoas que não tiveram oportunidade de aprender quando crianças e assim ficaram a margem da sociedade. É complicado falar desta realidade sem estar inserido nela, não sou professora da EJA, mas participo das discussões e reuniões de colegas desta modalidade. Percebe-se assim como na contextualização do texto de Hara (1992) que estes educadores (as) enfrentam muitos desafios e dificuldades para exercer a sua docência. Na nossa escola, temos neste ano uma EJA formada por muitos alunos (as) que foram transferidos do Ensino Regular e que enfrentam problemas de autoestima e autoimagem, consideram-se fracassados, pois em sua maioria possuem um histórico de duas ou três reprovações por série. Então o desafio este ano é MOTIVAR... “Dificuldades em ensinar, em lidar com a motivação, em conseguir ganhos de consciência são permanentes nos depoimentos daqueles que buscaram o trabalho com adultos das camadas populares” (HARA, 1992, p. 1). A evasão existe e nos coloca a prova todos os dias, a cada desistência... Citando o professor Helvécio (01/10/2009): “Motivar nossos educandos implica em primeiro nos motivarmos a nós mesmos. Esta é a nossa primeira conquista. Para tanto, é necessário que estejamos abertos ao novo e ao diferente. (...) O desafio está dado, resta-nos a nós (educadores) enfrentarmos e transformá-lo em elemento de nossa prática pedagógica, que antes de tudo é prática social. A melhor forma de alfabetizar, para mim, é levar em conta aquilo que o educando sabe, ressignificar esse saber, organizá-lo e devolvê-lo organizadamente a ele para que ele de posse da cultura letrada lute pelo espaço político e social ao qual ou aos quais ele (educando/cidadão) tem direito e, muitas vezes ou quase sempre, não sabe porque lhe falta a informação”.

Thursday, October 01, 2009

Lições do Rio Grande

Ontem, dia 30/09, participei de um encontro de diretores da 28ª CRE (Coordenadoria de Educação), neste encontro recebemos os cadernos “Lições do Rio Grande”, que possuem a proposta de Referencial Curricular para as escolas estaduais. Este material será entregue para todos os professores dos anos finais do Ensino Fundamental e Médio, reúne as habilidades e competências cognitivas e os conteúdos mínimos que devem ser desenvolvidos em cada série. Os Referenciais Curriculares, separados em cinco volumes de acordo com quatro áreas do conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, devem ser utilizados para auxiliar as equipes pedagógicas das instituições na organização dos currículos escolares e na elaboração dos planos de estudos para o próximo ano. Além dos cadernos de referência, os professores também contarão com cadernos de atividades para todos os alunos contendo estratégias de intervenção pedagógica que favoreçam a construção da aprendizagem. A proposta é interessante e parte do principio de que precisamos partir das experiências dos alunos (as) e proporcionar um ambiente de desafio e mudança. Durante a reunião colegas questionaram sobre a distribuição deste material para EJA, a resposta foi que pode ser aplicado, mas é preciso analisar a distribuição dos cadernos aos estudantes. Apesar da nossa saturação quanto às propostas do governo este material apresenta muitas das nossas antigas reivindicações. E, portanto precisamos analisá-lo...

Tuesday, September 29, 2009

Vivências e Aprendizagens

Esta foto representa alguns sentimentos experimentados nestes últimos dias...
Neste local, na beira da praia de Belém Novo já existiu um restaurante que hoje está em ruínas e faz parte da paisagem natural do local. Assim como esta construção nossa vida é feita de idas e vindas, de um constante criar e recriar, fazer e refazer ou desfazer...
Tenho estado ausente de alguns ambientes do curso, em especial este, onde registramos nossas vivências e aprendizagens durante cada semestre. Mas a dor da perda de uma pessoa importante na minha vida provocou um repensar, uma metamorfose silenciosa...

Tuesday, September 08, 2009

Educadores... seres imprescindíveis!

“O que é ser professor hoje? Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo, conviver; é ter consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores, assim como não se pode pensar num futuro sem poetas e filósofos. Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas. Diante dos falsos pregadores da palavra, dos marketeiros, eles são os verdadeiros “amantes da sabedoria”, os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento), porque constróem sentido para a vida das pessoas e para a humanidade e buscam, juntos, um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. Por isso eles são imprescindíveis” (GADOTTI, 2000).

Assim como os educadores que fizeram parte da minha trajetória escolar acredito que é necessário cultivar em nossas crianças e jovens: a autonomia, a dignidade e a ética. Valorizar a VIDA! Ser um sujeito curioso, perseverante, otimista, verdadeiro e íntegro. Proporcionar espaços de construção do conhecimento, participação e ação. Ser um sujeito ativo e comprometido com o futuro do Planeta.
Referências

GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2000.